No segundo semestre do ano transacto instalou-se uma crise económica que tem perturbado, principalmente, as economias menos preparadas. As particularidades da realidade socioeconómica têm exigido dos circuitos de distribuição, desta forma, uma maior rapidez e eficácia. Nestas alturas, é fundamental aproveitar para se reflectir sobre o que se pretende para o futuro, arregaçar as mangas e agir. Imbuído, porventura, deste espírito ganhador e de uma benéfica adaptação às mudanças, os empresários que operam com o franchising têm conseguido tornear dificuldades e impor as suas marcas. Não obstante se ter verificado um leve arrefecimento na economia que se reflectiu também nalguns projectos da área em causa, o emprego gerado pelo franchising evoluiu, em 2001, para 45 500 postos de trabalho (mais 5000 do que no ano anterior) e a estimativa do volume de vendas aponta para 2 500 milhões de euros, mais 250 milhões de euros do que em 2000. Portanto, não acreditemos em euforias nem temamos em demasia os riscos.
No fim da Segunda Guerra Mundial, a expressão franchising surge nos Estados Unidos com uma conotação, de cariz económico, que indicava a criação de um novo sistema de distribuição – sendo que já no séc. XVII a expressão tinha um significado bastante próximo do actual. É a partir daqui que se desenvolverá este sistema que vigora até aos nossos dias, em constante evolução.
De facto, o franchising é um sistema vertical de marketing (circuitos centralizados e profissionalmente geridos, de forma a reduzir os custos de exploração e a ter um superior impacte sobre o mercado), constituindo-se como uma forma de sistema contratual que permite a relação entre uma empresa franchisadora e outras franchisadas, com vista à exploração de um conceito de comercialização. Assim, o franchisador concede ao franchisado o direito de utilizar uma marca e uma sinalética, dispor de um conjunto de produtos, serviços e/ou tecnologias, bem como de um know-how, adquirido pelo franchisado ao longo do tempo. Apesar desta ser uma definição abrangente é de notar que o franchising inclui actividades em quase todos os ramos comerciais (comércio, serviços, hotelaria, restauração, etc.), pelo que esta pode revestir-se de características particulares.
Em Portugal os dados têm sugerido que o mercado entrou numa fase de amadurecimento e a prová-lo está o facto de o número total de marcas se ter mantido praticamente inalterado nos últimos três anos. Esta aparente estabilidade, contudo, não deve ser entendida como um sinal de acomodamento do mercado. Com efeito, assistimos hoje a um incremento assinalável de organização e rigor, quer de franchisadores quer de franchisados. Esta melhor preparação reflecte-se também na actividade das marcas nacionais: o peso das marcas nacionais no total de marcas franchisadoras ascendeu já aos 37% enquanto que apenas uma em cada quatro marcas que acusaram um incipiente arranque e que, portanto, abandonaram o seu projecto, são oriundas do nosso país. A solidez das estruturas das marcas nacionais parece constituir, assim, um importante indicador de que estamos no caminho certo. Para além deste facto, as marcas nacionais estão a apostar claramente nos mercados externos, pelo que, após o PREC dos idos da revolução de Abril, parece ser ponto assente que temos agora um PRIC - Processo Reconhecível de Internacionalização Crescente. De facto, foram identificadas, no final do último ano, 25 marcas nacionais com operação no exterior ou com projectos de internacionalização em fase de arranque, marcas estas que já possuem cerca de 250 unidades em funcionamento no estrangeiro.
Perguntam os senhores: “Tudo isso é muito bonito, mas o que é que eu preciso de saber para me meter num negócio destes?”. É que, realmente, os franchisadores vendem, mais do que um negócio, um sonho de mudança de carreira e de status. O franchising permite que pessoas sem experiência iniciem um negócio com mais segurança, uma vez que podem contar com a experiência do franchisador, a força da marca e as vantagens de pertencer a uma grande cadeia.
Pois bem, o franchisado, antes de mais, deve identificar-se com o negócio, tendo em conta o capital que pode disponibilizar. É muito importante que o franchisado investigue o negócio por sua conta, visite outros franchisados de forma a obter informações, não estando assim exclusivamente dependente dos dados e orientações transmitidos pelo franchisador. Neste sentido, é importante que o franchisado adopte uma postura activa na pesquisa do historial da marca, bem como na discussão dos aspectos operacionais e no apoio disponibilizável pelo franchisador.
Sendo a principal vantagem do franchising - e condição do franchising moderno - o facto de o franchisador fornecer apoio e transmitir o know-how aos seus franchisados, é fundamental que no contrato estabelecido entre ambos estejam contemplados todas as medidas que definirão os direitos e obrigações das duas partes.
Na óptica do franchisado, uma das principais vantagens do franchising reside no facto deste permitir que o indivíduo se lance num negócio por conta própria, com a segurança de uma experiência e marca de sucesso. O franchisado goza de protecção e apoio do franchisador, uma vez que usufrui das vantagens competitivas inerentes a uma rede comercial. Apesar de pequeno, cada franchisado opera numa lógica de grande grupo. Daí que o lucro seja proporcional ao aumento do número de franchisados.
Refira-se ainda que o franchising moderno contribui para a democratização dos negócios, uma vez que o empresário pode usufruir de vantagens que normalmente estão confinadas apenas às grandes empresas e concilia ainda as vantagens do consumo moderno e as do comércio tradicional, razão pela qual continua a crescer a um bom ritmo. Miguel Soares in Jornal "Vida Económica"
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